Os grandes incêndios que marcaram São Paulo ajudaram a ampliar o debate sobre segurança nas edificações. O incêndio do Edifício Andraus, em 1972, e o do Edifício Joelma, em 1º de fevereiro de 1974, permanecem como referências dolorosas dessa história.

Essas tragédias evidenciaram a necessidade de melhorar as condições de evacuação e a proteção das pessoas. A evolução da segurança contra incêndio envolveu alterações nas edificações, nos procedimentos e nos requisitos técnicos.

A fumaça e as rotas de saída

Durante um incêndio, a fumaça pode reduzir a visibilidade, dificultar a orientação e expor as pessoas a produtos perigosos da combustão. Manter as rotas de saída utilizáveis é um dos objetivos das medidas de proteção.

A pressurização de escadas integra esse conjunto de estratégias. Seu propósito é dificultar a entrada de fumaça no espaço protegido, por meio de condições controladas de pressão e escoamento do ar.

Como funciona a pressurização

Ventiladores introduzem ar na escada ou nos espaços previstos no projeto. O sistema estabelece uma diferença de pressão em relação às áreas adjacentes, considerando as condições de funcionamento e as portas abertas ou fechadas previstas na análise.

Quando uma porta é aberta, o sistema precisa lidar com uma condição diferente daquela existente com todas as portas fechadas. Por isso, seu dimensionamento considera fugas de ar, vazões e os cenários aplicáveis à edificação.

O objetivo não é produzir a maior pressão possível. Pressões excessivas podem dificultar a abertura das portas e prejudicar a saída das pessoas.

Um sistema que exige integração

A eficiência depende da compatibilidade entre ventiladores, tomadas de ar, dutos, grelhas, portas e dispositivos de controle. A localização da captação deve considerar a possibilidade de ingresso de fumaça.

A alimentação elétrica, os comandos de emergência e os intertravamentos devem atender ao projeto e às exigências aplicáveis. A pressurização precisa funcionar de forma coordenada com as demais medidas de segurança da edificação.

Corpo de Bombeiros e desenvolvimento técnico

O Corpo de Bombeiros tem papel essencial na prevenção, na análise de projetos, nas vistorias e na experiência operacional que alimenta a evolução da segurança contra incêndio.

A construção dos requisitos técnicos também envolve o trabalho de profissionais e entidades nos processos de normalização. É importante distinguir as normas da ABNT das instruções técnicas dos Corpos de Bombeiros: são instrumentos diferentes, que precisam ser considerados conforme sua aplicabilidade.

No tema da pressurização, a ABNT NBR 14880 é uma referência técnica. Em São Paulo, devem ser observadas as instruções e exigências do Corpo de Bombeiros aplicáveis ao sistema, incluindo a instrução técnica específica de pressurização de escadas em sua versão pertinente.

Ensaios e manutenção são indispensáveis

A instalação precisa ser verificada por meio de ensaios e inspeções compatíveis com o projeto. Vazões, diferenças de pressão, funcionamento dos comandos e condições de abertura das portas fazem parte dessa avaliação.

Alterações posteriores na edificação podem afetar o resultado. Portas inadequadas, aberturas não previstas e falhas em ventiladores ou controles exigem atenção.

A manutenção deve preservar a disponibilidade do sistema. Equipamentos de segurança precisam estar em condições de operar quando solicitados.

O compromisso com a segurança

A memória dos grandes incêndios reforça a importância de levar a prevenção a sério. A pressurização integra uma estratégia mais ampla, que inclui rotas de saída, compartimentação, detecção, alarme, combate e orientação aos ocupantes.

A Opus Global atua com soluções de ventilação e integração de sistemas, considerando os requisitos técnicos e as necessidades de cada empreendimento.

← Todos os artigos
Exaustão e ventilação em cozinhas profissionais: segurança começa no projeto ↗Precipitadores hidrodinâmicos: tratamento de emissões para além das cozinhas industriais ↗